Projeto une qualificação profissional, acolhimento e protagonismo feminino.
O IFMT Campus Campo Novo do Parecis, por meio do Programa Mulheres Mil, concluiu mais uma edição do curso Agente de Desenvolvimento Socioambiental, ofertado exclusivamente para mulheres em situação de vulnerabilidade. A ação é coordenada por Dayana Luiza Schwerz, Técnica em Alimentos e Laticínios e coordenadora adjunta do Programa Mulheres Mil no campus.
Dayana explica que sua atuação envolve todas as etapas da formação. “Minha função é coordenar todo o curso, elaborar o PPC, firmar parcerias, contratar e treinar professores, desenvolver o calendário letivo, realizar a divulgação, o edital e as matrículas, além de acompanhar a evasão e possíveis problemas.”
Participante do projeto há três anos, ela destaca que acompanha de perto cada fase da execução.
Objetivos e relevância do curso
Segundo a coordenadora, o curso foi concebido para unir qualificação profissional e inclusão social. “Queremos capacitar mulheres para conduzir ações socioambientais coletivas, analisar riscos, mediar projetos e propor soluções que façam sentido para a realidade delas.”
A escolha do curso dialoga com as características do município e com a necessidade de ampliar oportunidades. “Essa formação contribui para o desenvolvimento educacional e social da região, ao mesmo tempo em que oferece qualificação para mulheres que realmente precisam”, afirma Dayana.
Público atendido e conteúdos
Foram ofertadas 35 vagas para mulheres a partir de 16 anos, em situação de vulnerabilidade social, violência doméstica ou residentes em áreas com infraestrutura deficitária.
Os conteúdos abordaram temas como:
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Empreendedorismo;
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Aproveitamento integral dos alimentos;
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Compostagem e horta;
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Cidadania e Direitos da Mulher;
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Ética e Relações Humanas;
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Matemática aplicada e produção de alimentos.
Dayana destaca que, além da formação técnica, o curso trabalha dimensões humanas. “Buscamos construir espaços de sororidade, acolhimento e valorização. É um curso que cuida da parte profissional e da parte humana.”
Engajamento das alunas e relatos marcantes
A coordenadora destaca a participação intensa durante todas as aulas. “Tivemos muitas atividades práticas no IFMT, tanto no restaurante quanto na horta. A participação sempre foi ativa.”
Ela relembra momentos importantes da trajetória da turma. “Algumas mulheres, depois de conhecer o IFMT pelo Mulheres Mil, decidiram iniciar uma graduação. Hoje temos ex-alunas cursando Tecnologia em Agroindústria. E nesta turma tivemos uma aluna surda que participou de tudo com muita dedicação.”
Relato de uma das alunas surda
A estudante compartilhou suas percepções sobre o curso. “Aprendi sobre reaproveitamento de alimentos, a não jogar cascas fora e a fazer doces e outros preparos. Também aprendi a plantar, mesmo achando difícil no começo. Gostei muito da aula da Yara, de fazer sabão. Em Língua Portuguesa, entendi como usar o Canva. O professor de Informática explicou bem. Achei matemática difícil. Gostei dos professores, são legais. Lembrei que a professora Débora explicou sobre biossegurança, higiene da cozinha, usar touca e luvas, manter talheres e pratos limpos e cuidar para que os alimentos não estraguem. Também gostei quando o professor Vanor ensinou sobre compostagem. Achei legal transformar cascas em adubo. Vou sentir saudades das amigas, das conversas e dos professores da Casa das Marias.”
Parceria com a Casa das Marias
A parceria entre o IFMT e a Casa das Marias se fortalece há três anos e foi essencial para a realização do curso. A ONG oferece espaço físico, apoio social e infraestrutura para as atividades.
Segundo Dayana, “a Casa das Marias oferece cozinha industrial, espaço para acolher crianças e acompanhamento social. Isso garante a permanência das alunas e fortalece o protagonismo feminino.”
Impactos e expectativas
Dayana afirma que os impactos sociais são visíveis. “O curso eleva a autoestima, fortalece a autonomia e ajuda as mulheres a entenderem seus direitos. Elas saem preparadas para atuar em suas comunidades e propor soluções socioambientais reais.”
Com o encerramento da formação, espera-se que as participantes sejam capazes de identificar problemas ambientais locais, mediar ações comunitárias e aplicar as técnicas aprendidas.
Mesmo sem previsão de continuidade do Programa Mulheres Mil em 2025, Dayana reforça a continuidade da parceria com a Casa das Marias. “Pretendemos ofertar outros cursos por meio de projetos de extensão, com formações mais curtas, mas que atendam de forma eficiente as necessidades das mulheres atendidas pela ONG.”
Mensagem à comunidade
A coordenadora reforça a importância do envolvimento social. “O Mulheres Mil vai muito além da sala de aula. É uma ponte para autonomia, acolhimento e transformação. Ao apoiar o programa e a parceria com a Casa das Marias, a comunidade contribui para reduzir desigualdades e fortalecer cidadãs que transformarão suas vidas, suas famílias e seus bairros.”

